Das lições de aprender*
1. Comece por deixar a casa e observar o mundo;
2. Mantenha suspensos os sentidos (reside aí, e talvez somente nesse elevar-se, a compreensão da obra);
3. Feche os olhos duas ou três vezes para escutar melhor a música que faz a fala de um personagem, ou o silêncio movente das coisas;
4. Experimente ouvir poesia onde o real se adivinha;
5. Procure no extra-campo o invisível que escapa ao sentido de um quadro;
6. Acompanhe um gesto menor, um movimento dos olhos, ou uma pausa mais longa, através da qual se desvela uma vida – ou a sua morte;
7. Procure o afeto que compõe a cena;
8. Siga com os olhos a direção para onde aponta o gesto de uma criança;
9. Atravesse as paisagens de fora como quem caminha por dentro;
0. Deixe-se levar pelo vento que varre a paisagem;
*quando vi no cinema de kiarostami a poesia que iluminava um porao escuro. e uma menina que se recusava a mostrar o rosto*
(para oswaldo)
1. Comece por deixar a casa e observar o mundo;
2. Mantenha suspensos os sentidos (reside aí, e talvez somente nesse elevar-se, a compreensão da obra);
3. Feche os olhos duas ou três vezes para escutar melhor a música que faz a fala de um personagem, ou o silêncio movente das coisas;
4. Experimente ouvir poesia onde o real se adivinha;
5. Procure no extra-campo o invisível que escapa ao sentido de um quadro;
6. Acompanhe um gesto menor, um movimento dos olhos, ou uma pausa mais longa, através da qual se desvela uma vida – ou a sua morte;
7. Procure o afeto que compõe a cena;
8. Siga com os olhos a direção para onde aponta o gesto de uma criança;
9. Atravesse as paisagens de fora como quem caminha por dentro;
0. Deixe-se levar pelo vento que varre a paisagem;
*quando vi no cinema de kiarostami a poesia que iluminava um porao escuro. e uma menina que se recusava a mostrar o rosto*
(para oswaldo)
1 Comentários:
Um trecho de uma entrevista de Abbas Kiarostami.
P: "Há pouco, o senhor disse que não acreditava em nenhum poema ou filme que se presta a dar lições..."
AK: "O espectador tem sempre a curiosidade de imaginar o que é que há para além do campo de visão: está acostumado a fazer isso continuamente na vida diária. Mas quando as pessoas entram numa sala de cinema, por hábito deixam de ser curiosas e imaginativas e aceitam simplesmente o que lhes é dado, como se fosse uma lição. Não é preciso dizer tudo ao espectador. As pessoas têm idéias diferentes, eu não quero que todos os espectadores completem o filme, na sua própria imaginação, da mesma maneira, como se fossem palavras cruzadas, independentemente de quem as fizer. Não deixo espaços em branco só para que as pessoas tenham algo a completar. Deixo-os em branco para que as pessoas possam preenchê-los de acordo com o que pensam e querem".
beijo,
oswaldo
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